Creio ser este o mais hediondo dos crimes. Entretanto, parece que frente ao número cada vez maior desse crime, ele está se banalizando. Pelo menos é o que se deduz frente a veiculação de que,  em  pelo menos três decisões judiciais, desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, reduziram a pena a que foram condenados réus acusados de pedofilia. (Folha de São Paulo, Cotidiano 1, 14/03/2009)

 

 

        Em 2006, um pedófilo, que tinha perpetrado tal crime contra quatro menores, duas de 9, uma de 10 e outra de 13 anos, teve a pena reduzida de 17 anos e seis meses para seis anos e três meses de prisão.

 

 

        Em 2005 a pena do acusado foi reduzida de 9 anos, para 2 anos. Entre outros pontos a sentença disse textualmente: o “dano psicológico da vítima não foi tão intenso, tão marcante que determinasse, repito, uma reprimenda perigosa”. Disse ainda que o “alarde” dos pais produziu mais danos à vítima do que os fatos.

 

 

         Há ainda outro julgamento, em 2008, reduzindo até 2/3 da pena, no caso de uma menina, violentada pelo próprio pai. A justificativa é de que como o ato carnal não tinha sido consumado, ocorrera apenas “tentativa”, porque tinha havido apenas toques.

 

 

 

        Outro dia, falando a propósito da excomunhão, no caso da menina de 9 anos, me vi falando: “a Igreja apóia a pedofilia”. Achei que tinha ido longe demais ao fazer tal afirmativa, mas eis que, em outro caderno do jornal(ilustrada), no mesmo dia, o médico Dráusio Varela assim se expressou: “Porque cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres, que nós, ex- alunos de colégios católicos testemunhamos”.

 

 

        A Igreja sempre silenciou nestes casos e, conforme escreveu o pe. Antonio Vieira “a omissão é um crime que se faz não fazendo”.

 

        Não é intuito deste texto atacar a Igreja, mas o ataque foi na trilha  do comentário sobre o que parece ser a banalização de tão hediondo crime. Aliás, considero todos os crimes sexuais hediondos. No festejado livro “ O caçador de pipas” , Amir, o garoto rico, vê seu amigo Hassan, sendo estuprado e nada faz. Quando li esta cena fechei o livro e só fui reabri-lo seis meses depois.

 

        Quando advogava, fui procurada por uma senhora, que pretendia que eu entrasse com uma ação revisional no caso de seu marido, preso por estupro. Mandei que ela voltasse outro dia porque tinha que consultar os autos. Li o processo e fiquei enojada. Quando ela voltou ao escritório disse que não podia pegar o caso.

        Não me lembro de maiores detalhes, só da minha colega, dona do escritório, dizendo que o advogado não podia se recusar a fazer a defesa. Disse a ela que se tivesse duas filhas, como eu, não pegaria tal caso. Agora vejo que não foi só porque eu tenho filhas que aquela foi minha posição.

 

        Tais crimes são revoltantes e a pedofilia é um crime monstruoso, e assim também o são os membros do judiciário dos casos que citei acima. Não é possível que esta violência terrível possa vir a ser banalizada, como parece estar ocorrendo.

 

Será que vamos assistir a isso de braços cruzados?

 

 

 

        A primeira notícia foi veiculada no Jornal Nacional. É a que se segue:

 

VATICANO DEBATE RELAÇÃO  ENTRE A  FÉ E A TEORIA DE  DARWIM

 

                                               

       A Teoria da Evolução diz que cada espécie descende de uma seleção natural, genética, influenciada por fatores ambientais. Em Roma, pesquisadores católicos e laicos tentam conciliar fé e razão.

 

       “Começou, em Roma, uma conferência internacional em que será debatida a relação entre a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, e a fé.

       Na Universidade Gregoriana de Roma, um seminário internacional discute, 150 anos depois da publicação “A origem das espécies”, de Darwin. Pesquisadores católicos e laicos tentam conciliar fé e razão.

        No teto da Capela Sistina, os afrescos da criação, de Michelangelo. Deus dando vida a Adão e Eva.

       Teoria cristã para o início da humanidade. Charles Darwin, cientista inglês que nasceu há 200 anos, explicou o mundo de outra forma. Cada espécie descende de uma seleção natural, genética, influenciada por fatores ambientais.

      O homem e os macacos teriam uma origem comum. Se hoje a Igreja não o apoia, também não nega mais o seu trabalho.

      O cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé esclarece: “Nossa crença está na criação. Acreditamos que não importa como o que foi criado tenha evoluído, no fim das contas Deus é o criador de todas as coisas”.

            É justamente sob o pontificado de Bento XVI- papa ultra- conservador, que o tema é levado a debate. O sumo pontífice já havia revisto a teoria sobre o limbo, como destino das crianças não batizadas. Com a revisão, as crianças vão para o Céu, independentemente do fato de terem sido batizadas ou não.

        Estas são demonstrações de que a Igreja está buscando rever dogmas que antes eram considerados inalteráveis.

 

        Outra notícia, desta vez veiculada em várias mídias, diz respeito à criança de 9 anos que, estuprada pelo padrasto, encontrava-se grávida de gêmeos.

            A criança, legalmente amparada pelo Código Penal, pois, engravidara em conseqüência de estupro e ainda sua gravidez oferecia risco de vida, ia ter a gestação interrompida.

         Eis que o arcebispo de Olinda e Recife disse estar sendo cometido um “assassinato” e encarregou o advogado da Arquidiocese a oferecer ao Ministério Público de Pernambuco, denúncia contra a mãe da menina. Segundo o advogado, a mãe estava sendo orientada por entidades, para que o aborto fosse feito. E disse textualmente: “Essas organizações poderiam orientar e tentar ajudar a mãe o máximo possível para que a gravidez fosse levada adiante, até o momento de uma cesariana”. “É a lei de Deus, ‘não matarás’”.

 

 

        A gestação da criança de 9 anos, estuprada, foi interrompida  e após o ato consumado, o arcebispo excomungou a mãe da menina e os médicos.

 

        Uma mesma Igreja que se propõe a rever a origem do homem, diz, neste caso, que “a lei de Deus está acima de todas as coisas”. Creio que sendo assim a Inquisição deveria voltar e ser lançada à fogueira a menina, a mãe e toda a equipe médica, tão aberrantemente desumana é a posição da Igreja neste caso.

 

        Enquanto isso, o estuprador, em poucos anos estará livre leve e solto, se antes o ministro Gilmar Mendes não conceder um habeas corpus.

 

 

        Havia uma aldeia indígena chamada PAC.  O mundo dos cara-pálidas estava em crise, mas nesta aldeia indígena eles nem sabiam o que era isso. Continuavam com suas riquezas e seus desmandos porque, afinal, ninguém é de ferro.

             

        No dia 04/03/2009 precisavam escolher um novo cacique. O antigo tinha sido destituído porque era muito safado e tinha colocado a mão no dinheiro da tribo e construído luxuosas tabas, não prestava contas a sua tribo do que fazia com as oferendas que ficavam a seu dispor, para distribuir na aldeia, e outras safadezas, que ele sempre negava.

 

        Apresentaram-se como candidatos a cacique do PAC, um indígena macho e uma fêmea. Tratava-se de uma tribo aculturada e até lá já tinham chegado a igualdade de direitos femininos. Um dos candidatos a cacique chamava-se Collor e a fêmea, Ideli.

 

        O candidato Collor já tinha sido um figurão na tribo, mas tinha sido deposto do cargo, pela primeira vez naquela aldeia, também por safadeza.

 

        Mas os anos tinham se passado e como os indígenas têm memória curta, ou fingem que tem, quando lhes convém, o cacique Collor apresentou-se como candidato.

 

        Escolado, o candidato abriu um leilão. Oferecia percentuais das riquezas que ia fiscalizar, e que ele já sabia como usar a seu favor, e assim, o martelo do leiloeiro da tribo ia encerrando os lances. A outra candidata não tinha tantos anos de estrada e acabou sendo vencida.

 

        Assim, Collor foi nomeado cacique, também com funções de  presidir a comissão que ia fiscalizar a aldeia.

 

        No mundo dos cara-pálidas tinha um jornalista que usava muito este bordão:

 

Isto é uma vergonha!

 

        Mas é assim que se passam as coisas naquela aldeia.

 

 

        Quando o presidente Barack  Obama foi empossado o mundo assistiu o espetáculo de um Estados Unidos emocionado, e esta emoção derramando-se por outras partes do mundo.

 

        O então Barack Obama, desde as prévias, já suscitava  partidários quase que tomados de fervor. Em Junho do ano passado, ainda ocasião das prévias, estava em Veneza e conversei longamente com um casal norte americano de meia idade, acompanhados da mãe do sr. O casal manifestava-se entusiasticamente a favor de Obama, e bania a hipótese de Hillary Clinton ser a escolhida pelos democratas. Só a mãe, senhora de mais idade, dizia ter receio da pouca idade do candidato. Àquela época a economia dos Estados Unidos não estava muito bem, mas não tão péssima quanto agora. Eu já torcia pelo jovem Obama, só lamentava suas declarações de que continuaria com a política de subsídios agrícolas, ou seja, o milho, do qual os norte americanos utilizam para produzir combustível alternativo continuaria sendo subsidiado, não dando espaço para a importação do nosso etanol, produzido a partir da cana.

 

        Pois bem, o nosso jovem presidente Obama  foi empossado em  finais de janeiro e um mês depois os catastrofistas de plantão começaram a dizer que ele ainda não tinha dito a que viera. Cheguei a ver uma manchete de jornal denominando-o, irônicamente, de presidente Robin Hood, por algumas medidas que iria tomar.

 

        Não li a matéria, pois, a manchete parecia puro deboche, e recusava-me a compactuar com tal posição.

 

        Pouco depois vinha a público as medidas que Obama implantaria, e mostrando a que veio, medidas realmente ousadas para a conservadora e direitista política dos EUA.

 

        Alguma das medidas são: imposto para a fatia mais rica da população. Aqui no Brasil, de vez em quando, vem a tona um projeto para a maior taxação de grandes heranças, mas, fica só no projeto. Nos EUA, com toda certeza não ficará no papel, e os impostos serão aumentados para os 2% da população mais rica. Além da alta para esta fatia da população, também para as empresas poluidoras. Isto no país que se recusou a assinar o protocolo de Kyoto. Os subsídios agrícolas também serão reduzidos. Será que nosso etanol poderá então expandir suas fronteiras?

       

        O que parecia impossível, a presença do Estado na iniciativa privada, como é o caso do Citybank e desde ontem, da empresa seguradora AIG. O governo agora detém 36%do capital do Citybank e alto percentual da seguradora. Como diz o presidente, não se trata de “ajudar” os bancos e sim “pessoas”.

 

        Agora, finda a era paranóica ou belicista do presidente Bush, é marcada para 2011 a saída do último soldado americano do Iraque.

 

        Estavam certos os americanos e grande parte da população mundial quando efusivamente saudaram a posse do jovem Barack Obama.

 

         Que suas medidas, e outras que virá a tomar, auxiliem o mundo a sair desta crise que se alastrou por todos os continentes, causando para muitos sérios danos e sofrimentos.  

           

 

 

 

 

 

 

       Não sou retardada, nem tenho pouca escolaridade. Não consigo achar a explicação para o fato de não entender os seriados da TV a cabo.

 

        Vejo chamadas informando que House está no 100º capítulo. O último que assisti só entendi quando ele fez o  diagnóstico final. Os diálogos paralelos foram acima da minha compreensão.

 

        Lost e Heroes  são outros que não entendo nada. Tem também uns CSI da vida que assisto dizendo a mim mesma: hei de vencer e entender. Mas, vã ilusão. Aquelas autópsias todas e os resultados que os legistas encontram permanece um grande mistério para mim. Os softwares que eles usam, para interpretar indícios, acho que só pode ser ficção científica. Será que realmente os computadores conseguem achar tanta coisa?

 

 

        Tem a historinha do Clark Kent e da Lois Lane. Sempre achei a história simpática e até torcia para um happy end do casal. Mas, no seriado Smalville, o que era a saga do Super-Homem e seus problemas com a kriptonita, se transforma numa história de vários com super poderes, uma jovem com um cérebro que põe computadores no chinelo, e a história romântica acaba se transformando num emaranhado de várias histórias, para mim indecifráveis.

 

        Gosto do Cold Case, também bastante complicado, mas outro dia achei a explicação. A trama é em cima do descobrimento da autoria, motivos, etc. para casos que aconteceram num passado  remoto. Daí o nome, em tradução livre, de caso “frio”. No vai e vem da investigação eles colhem depoimentos de pessoas geralmente na casa dos sessenta ou por aí, e retratam a cena como se elas tivessem acontecido, com os personagens geralmente na casa dos vinte, trinta anos. Tchê, quanta diferença! As moças e rapazes, nesta idade são sempre bonitos e eu tenho um calcanhar de Aquiles no que diz respeito a esse assunto.

 

        Há uns tempos fiz um post com o nome: “Tenho saudades”. Nele dizia que não tenho saudades da juventude (em si) pois a minha idade me traz o conforto de não ter obrigações, da possibilidade de dispor meu tempo da maneira que melhor me apraz, além de outras vantagens. Do que tenho saudades é do tempo que era bonita. Deve ser por isto que gosto do Cold Case, por mostrar como as pessoas são enquanto estão sendo feitas as investigações, mas, como foram bonitas em décadas anteriores.

        Lamento, mas isto é realmente meu calcanhar de Aquiles.

 

        Há um seriado, entretanto, que não perco em hipótese alguma, mesmo que seja repetido. São os seriados com os casos do hilariante detetive Monk, que assisto semanalmente na Universal (canal 43 da Net), aos domingos, às l9 horas. Esse eu entendo tudo, tudo.

 

        Os outros, eu torno a repetir, porque eu não entendo os seriados da TV.?

   

 

         Esta é uma abordagem de um assunto regional, mas o faço porque não dá para assistir calada as reportagens abordadas quer na mídia impressa, quer em documentários televisivos.

 

        Há muito, vamos nos acostumando com uma sucessão de escândalos, patrocinados por políticos, e com o passar do tempo já nem mais nos lembramos a que diz respeito. O mesmo ocorre com   a violência, que acabou sendo banalizada, face a multiplicação dos casos que diariamente são perpetrados.

 

        O caso da merenda escolar é um escândalo, creio eu, que vai além da corrupção e da violência, é ainda mais grave. O que a faz objeto deste post é por atingir crianças que, além disso, em sua maioria são carentes. Por vezes a merenda oferecida na escola é a única refeição a que a criança tem acesso.

 

        Violência extremada, na rede municipal de ensino, é servir a crianças alimentos em decomposição, metade de uma maçã, salsicha cortada em três para render mais e absurdo dos absurdos, premiar as cozinheiras terceirizadas que economizam nas porções oferecidas aos alunos.Tudo isso foi denunciado em 2007 e se tornou alvo de uma investigação do Ministério Publico Estadual.

 

        Qual o resultado dessa investigação? Ninguém sabe e ninguém viu. Em 2008 tivemos eleições para prefeitos. Porque Martha Suplicy e Geraldo Alkmim, adversários ferozes, principalmente a primeira, de Gilberto Kassab, candidato à reeleição, não levantaram esta questão? Nada foi dito a respeito. Nossa ex ministra do turismo preferiu valer-se de ataque à opção sexual do candidato Gilberto Kassab, mas não mencionou a violência que se exercia sobre as crianças. Foi em sua gestão que a merenda escolar passou a ser terceirizada.

 

        Agora, em 2009 (portanto dois anos depois), nova denúncia.

 

        Aliás, agora já é plural. Foi denunciado que as empresas que se submeteram a licitação haviam se composto para elevar os preços e em reportagem televisiva eu vi fotos de frutas em decomposição e um prato com arroz e feijão. A reportagem dizia que o prato que era servido às crianças pesava 550 ou 560gr( não me lembro com exatidão). A particularidade é que só o prato pesava 450gr. Isto significa que era servido às crianças 90 ou 100gr. de alimentos. Nosso prefeito disse que em maio iria abrir nova licitação para substituir as firmas atuais, mas que temporariamente, elas continuariam responsáveis pelas merendas.

 

        Relativamente à quantidade ou qualidade do que era ofertado nada foi dito pelo nosso prefeito. A abertura de uma CPI para investigar as fraudes foi logo abafada pela base do prefeito na Câmara.

 

        Mais uma sujeira que acaba em pizza. Pena que as crianças nunca tiveram acesso a um pedaço deste saboroso alimento de nossa culinária.

 

 

 

        Não sabia nada sobre o Afeganistão, nem sobre o Taleban.

 

         Fui introduzida neste mundo através da leitura dos livros de Khaled Hosseini, “O caçador de pipas” e “A cidade do Sol”. Fiquei com muita pena do povo afegão e horrorizada com o Taleban.

 

        São consideradas “anti-islâmicas”, com penalidades que vão do açoitamento à decapitação, assistir TV a cabo, cantar, dançar, vender DVDs (e por extensão, comprá-los), criticar o taleban, raspar barbas, autorizar meninas a ir à escola, mulheres saírem à rua sem a companhia de um homem e nem sei que outras atividades.

 

        No livro “Caçador de pipas”, há também uma divisão de classes, muito próxima da divisão em castas. Por falar nisso, a nova novela de Glória Perez, enfoca com bastante ênfase, as castas nas Índias. Não acompanho o folhetim, mas, vejo chamadas que explicitam estas tradições naquele país.

 

        A casta dos intocáveis é desumana. Num país onde vacas são sagradas, o intocável tem valor inferior aos  dejetos deste animal.

 

        Aprendi que temos que respeitar as tradições de um povo, de uma religião, mas às vezes é difícil engolir, sem fazer qualquer crítica, tradições que nos remetem à Idade das Trevas.

 

        Pelo pouco que sei da novela, parece que na Índia, se alguma tradição não for seguida, ao menos não há os castigos que o taleban aplica naqueles que transgridem as regras impostas.

 

        Estamos no século XXI, com o homem sempre nos surpreendendo com novas descobertas, um mundo de alta tecnologia, onde, talvez, futuramente, párias sejam os que não as dominam. Como justificar que algumas sociedades ainda estejam mergulhadas em tradições que nos remetem à Idade das Trevas?

 

 

         Todo início de ano letivo são veiculadas notícias de barbáries, atos de selvageria, produzidos pelos “veteranos” aos indefesos calouros.

 

 

        Há exemplos revoltantes como os de uma faculdade de veterinária de uma cidade no interior de São Paulo, que faz os calouros rolarem em excrementos animais, sob ameaça de chicotadas.

       

        Não sei se foi na mesma ou em outra faculdade, que fizeram um rapaz ingerir cachaça, até ele entrar em coma alcoólico, levando simultaneamente chutes e pontapés.

 

 

        Há alguns anos, um rapaz, de origem oriental, foi encontrado morto na piscina do centro desportivo da Faculdade de Medicina da USP.

 

        Há também, entre muitos outros casos, a jovem que teve um líquido( que não nomeiam) jogada em seu corpo, por outra jovem, e o corpo foi queimado, exibindo cicatrizes horríveis. As cicatrizes permanecerão para sempre.

 

 

        Tantas e tão bárbaras são as agressões que a nossa mente apaga as outras muitas, provavelmente como mecanismo de defesa.

 

        O que não entendo é porque as universidades lavam as mãos em todos estes casos. Deveria ser proibido estatutariamente, a prática de trotes, que não fossem além da recepção festiva de calouros, com a promoção de eventos sociais ou outros quaisquer que visassem a integração do neo estudante ao mundo novo que está ingressando.

 

        Reitores alegam que nada podem fazer relativamente a atos praticados fora de suas dependências. É claro que podem. É só constarem de seus estatutos a pena de expulsão para os que contrariem a norma estatutária.

 

        A polícia, não sei porque, também nunca encontra os culpados e os poucos casos que são levados a ela, acabam sendo arquivados.

 

        A rotina de barbárie repete-se anualmente, e as manifestações de sadismo, de agressões, de violência descomunal, são tratadas com a mesma banalidade que vemos serem tratados jovens que assassinam pai e madrasta, que entram numa sala de exibição cinematográfica e disparam visando a todos e a ninguém em particular, e casos outros, que pipocam nos noticiários.

 

         Com certeza eles, um dia, estiveram entre os “veteranos” que violentamente aplicaram “trotes” em indefesos “calouros”.  

 

 

 

        A  Suíça, Poncio Pilates, sempre neutra, está declarando que a jovem brasileira que disse ter sido espancada e cortada com canivetes se auto-mutilou e não estava grávida.

 

        Se, numa última hipótese, isto for verdade, de qualquer forma, a historicamente neutra Suíça, não pode negar que abriga um partido político (o SVP), de direita, contrário à presença de imigrantes no país. Não pode negar que o partido promoveu uma série de propagandas racistas e que, em uma delas, ovelhas brancas chutavam para fora do mapa da Suíça ovelhas negras.

 

        O que aconteceu com a jovem brasileira foi em Zurique, espacialmente quase colada a Genebra, país berço da Cruz Vermelha, fundada no século XIX e que desde então presta serviços humanitários em todo o mundo. Pois é, esta mesma Suíça humanitária abriga um partido de ideário nazista, que ninguém em sã consciência,  deixa de repudiar instintivamente.

 

        O que vem acontecendo atualmente é que a crise econômica global vem sendo desculpa para aflorar sentimentos xenófobos que antes eram velados, por não serem “politicamente corretos”.

 

 

        Agora é lançado como “instinto de sobrevivência”, pois estrangeiros seriam ameaça aos empregos dos nativos dos países.

 

        Isto é outro conto da Carochinha, pois, a xenofobia, em muitos países, sempre existiu. Não fazendo, do exemplo que se segue, uma  referência de que na Inglaterra ela atinja maiores proporções, citamos uma entre as milhões de manifestações xenóbicas, verbais.

 

 

    O príncipe Harry “fará curso do Exército do Reino Unido sobre igualdade e diversidade depois de divulgação de vídeo em que chama colega asiático de “paki”, termo pejorativo para se referir a imigrante ou descendente de paquistanês. A ofensa foi incluída em seu registro militar. Em nota, o príncipe se desculpou pela brincadeira” ( Folha de São Paulo, Cotidiano fls.12, 13/02/2009)

 

 

        Ora, se existe temor que o príncipe Harry não tem, é o de perder o emprego.

 

 

        O que há de verdade em relação a xenofobia é que ela parece estar latente,  na maioria dos países, manifestando-se publicamente, sem pudor, em ocasiões como agora, de temor de desemprego

 

        Não sei quais foram os mecanismos do meu subconsciente para deter-me especialmente nos dois países: Suíça e Reino Unido. Ou melhor, na Suíça é porque foi lá que se deu o estopim, com o caso da jovem brasileira. Talvez, quando citei o país cuja polícia matou Jean Charles de Meneses, o meu subconsciente fez aflorar a revolta que ainda sinto por ter visto o descaso com que a morte de um “brasileiro” (de país subdesenvolvido), foi tratada. Afinal, porque eles vão se preocupar com um imigrante ilegal?

 

        É incrível como trabalha nosso subconsciente, mas me trouxe um gosto de fel à boca. São histórias tristes, que gostaria de apagar da minha memória. Infelizmente isto não vai ocorrer e nós, brasileiros, temos que aprender a conviver com estas dolorosas verdades. Deus queira que elas não se repitam.

 

 

        Escrevi a minha primeira crônica falando sobre chuva. Como ela é um bem para alguns e um mal para outros.

 

        Iniciei dizendo que era um Bem para os que levavam vida Severina, no nordeste semi-árido, onde as gotas são preciosas, muitas vezes para a própria sobrevivência do tão sofrido nordestino. A seguir, fui contrapondo outras situações, em que ela é considerada um Mal.

 

        Neste verão chuvoso, para mim a chuva tem sido um bem e algumas ocasiões, e um mal noutras.

 

        Sempre venho para a frente do computador no período da tarde. Acontece que quase invariavelmente lá pelas 15 horas o céu começa escurecer e lá vem chuva, com tantos raios e trovões, que sou obrigada a desligar o computador.

 

        Outro dia decidi a enfrentar a ira de São Pedro. Não desliguei o computador e estava gravando um arquivo quando a luz caiu. Desde então, toda vez que abria o computador aparecia um balão dizendo que havia arquivos aguardando para serem gravados. Tentei gravar novamente, mas, o danado do aviso continuava aparecendo. Tentei então uma nova estratégia: peguei um outro CD e gravei neste. Problema resolvido, mas lição aprendida: São Pedro arrastando os móveis no céu é um inimigo de computador aberto.

 

        Moral da história é que ando com pouco tempo para ficar navegando. Menos mal é que fico navegando na Internet e não num daqueles barcos que vejo na televisão, usados por moradores de áreas inundadas, que é o que não tem faltado nas regiões sul e sudeste. Tenho deixado de visitar alguns blogs, pois agora, depois da minha mal sucedida experiência no enfrentamento com São Pedro, fecho o computador assim que começam raios e trovões.

 

        Por outro lado, fico feliz quando chove porque assim no dia seguinte não tenho de molhar as plantas. Fico como o blog do Neto, ter que ficar de regador e mangueiras, se desejo ter minhas plantas firmes e fortes.

 

        Enfim, como disse no início, a chuva é por vezes um Bem e por outras um Mal.

 

        Para aqueles que começaram a freqüentar este blog há pouco, informo que, se houver interesse, na época que andei inspirada (no momento não ando), escrevi algumas crônicas de qualidade. Elas podem ser encontradas digitando Crônicas, no espaço Search, na coluna lateral à direita.

        ´

É isso aí.

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