Saí de São Paulo no dia 1º de Junho e cheguei em Amsterdam no dia 2, com uma diferença de 5 horas no fuso horário. Fui pela KLM e achei a companhia ótima. Já voei por outras companhias e por vezes o pessoal de bordo é muito grosseiro ou matam a gente de fome. Aliás, em uma das companhias eles aliavam os dois atributos. A KLM, entretanto, tinha um pessoal de bordo muito solícito e a alimentação era fartíssima.

Chegando ao hotel, depois das formalidades de praxe, subi com minha bagagem e apenas retirei da mala a sacola com os produtos de toalete que, como imaginava, estava toda banhada em perfume que tinha se derramado. Desci, informei-me onde poderia achar o barco para andar através dos canais e para lá me dirigi. Paguei 3 euros, a única coisa barata lá. Imagine que o táxi foi 55 euros e no frigobar uma garrafinha de água custava 4.50. O tour foi agradável, debaixo de bastante calor e fiquei interessadíssima quando foi dito que estávamos passando pelo Red Light. Tinha sido informada que lá as “prostitutas sexuais”, como as chama o hilário detetive Monk, ficavam como manequins vivos em uma vitrine, completamente despidas. Meu filho já tinha me dito que não era bem assim, que elas ficavam em trajes sumários, com um ar de tédio total. Bem, de qualquer forma não pude conferir nada, pois apenas o que vi foi um monte de sex shop. Posteriormente vim a saber que elas ficam numa ruazinha e não nas ruas que ladeiam os canais. Neste passeio através dos canais tive minhas primeiras impressões sobre a cidade. Não achei a cidade bonita, as casas de tijolinho a vista me pareceram muito antigas. Desembarcando do barco voltei para o hotel e como a cidade estava em obras e era preciso tomar muito cuidado com as bicicletas para não ser atropelada. Com a cidade em obras era difícil, pelo menos naquele ponto, driblar as bicicletas e os ônibus elétricos que andavam sobre trilhos, embora o trânsito não fosse tão caótico quanto o de Roma. Mas, enfim, aquelas foram as minhas primeiras impressões, que talvez estivessem um pouco negativas pois esperava muito da cidade em matéria de beleza e também porque afinal tinha feito uma viagem de 11 horas, sem dormir e era um atropelo de emoções. Esqueci de contar que ao sair do avião me deparei com um guarda com um enorme cachorro, como se estivesse a nossa espera. Acho que o cão era para farejar drogas. Pensava que as drogas eram importadas de lá, mas pelo visto o tráfico é de mão dupla. Não vi nos outros países esse aparato policial.

Voltando ao relato das minhas impressões sobre a cidade, juntei outras imagens e vi que a impressão negativa relativa a aparência da cidade talvez fosse porque estivesse no centro da cidade. Em outras cidades o downtown também nunca era bonito.

Na manhã do dia seguinte, munida de mapa fui até Dam Square. Para chegar lá fui pela Kalverstraat ,uma rua de lojas. Não gostei da modinha de verão e até entrei numa delas para ver se achava qualquer coisa que apreciasse. Não achei nada e o pior é que quando saí da loja, como tenho péssimo sentido de direção, fui andando na direção contrária. Já estou acostumada com isto e logo percebi. Abrindo um parágrafo, parece incrível que uma pessoa sem sentido de direção viaje sozinha, mas o que sempre faço é pedir informações e normalmente as pessoas são muito solícitas, especialmente agora que tenho setenta anos. Então, como faço normalmente, informei-me sobre qual direção deveria ir para chegar na Dam Square. Felizmente em Amsterdam todo mundo fala inglês e assim, debaixo de chuva, protegida apenas pelo capuz do impermeável cheguei ao meu destino. Como do meu hotel (Jolly Carlton) ouvia as badaladas de sinos a cada hora, perguntei a várias pessoas onde ficava uma igreja por lá. Ninguém soube me informar, o que foi uma pena, pois vim a saber que havia uma bonita igreja por lá. Pensei que as pessoas não soubessem da existência de uma igreja por estar num país de população predominantemente calvinista. Posteriormente, numa das minhas pesquisas pela internet vi que a população católica é bastante expressiva o que significa apenas, neste caso, que não falei com as pessoas certas. Passei em frente a um museu de cera que deveria ser tipo o Madame Tussaud de Londres e depois retornei pela Kalverstraat para então ir procurar a Paulus Potterstraat, por onde deveria seguir para chegar ao museu van Gogh, Diamant Museum e Keytours para comprar um citytour para Voledam, cidadezinha onde se encontra o típico da Holanda. Passei primeiro no denominado Diamant Museum, vi várias jóias de diamantes mas não me pareceu estar num museu. Posteriormente, consultando meus tickets vi que tinha um recibo de 30 euros, referentes ao preço do citytour para Voledam e lá estava escrito: Diamant Museum e também um www.diamantmuseumamsterdam.nl. Entrei no site e vi que não tinha estado no tal museu, mas sim provavelmente num local onde eram vendidas peças de brilhante. Bom, mas não perdi nada com isto porque pouco me importo com brilhantes. A entrada no local valeu para que eu comprasse o ingresso para o museu van Gogh.

Adoro o pintor principalmente pela explosão de luzes e cores em suas obras. Minha grande surpresa foram os quadros pesados e escuros que o genial artista pintou no início de sua carreira. Desconhecia este período e voltando para casa fui ler sobre o pintor e descobri os aspectos de sua vida antes de dedicar-se a pintura, o porquê de um fundo sombrio em seus quadros antes de ser o extraordinário intérprete de cores e luzes.

Essa é também uma das delícias de viajar: descobrir que não se sabia algo e depois pesquisar aquilo que não sabíamos.

Terminada a minha visita ao museu van Gogh voltei ao “diamant museum” para de lá pegar o ônibus que me levaria a Voledam. Adorei a cidadezinha rural com aquelas casinhas campestres, muito verde, e cabras pastando. Visitamos um local onde se fabricava queijo e lá estavam as coradas holandesinhas com seus trajes típicos com direito a tamanquinho que me surpreenderam ao ver que são de madeira. Tivemos algum tempo e assim pude comprar para minhas netas bonequinhas holandesas e mais algumas coisinhas. Depois, fizemos uma viagem de barco e descemos num local onde, antes da construção dos diques, a água do mar por vezes avançava até onde as casas tinham sido construídas, e por isto muitas delas eram construídas sobre estacas, ou então construíam uma espécie de morrinhos artificiais para que as casas ficassem em nível mais alto. Nesta excursão havia duas brasileiras e uma delas comentou que a adversidade da região provavelmente levara seus habitantes a lutarem contra as forças da natureza,contribuindo para que tivessem tal crescimento econômico. Lembrei-me das palafitas no Amazonas e disso que elas, em hipótese alguma tinham tornado a região próspera ou ao menos com menos miséria. O assunto parou por aí até que vi uma casinha e pensei: “já vi uma destas no Brasil em alguma viagem”. A seguir lembrei-me que tinha sido em Gramados, para onde viajara com minha irmã e seu marido. Quando falei com ela e ainda me lembrei que lá eram vendidas apfelstrudel (denunciando a origem, pois sua tradução é torta de maçã, )vi que realmente tínhamos visitado uma casinha como aquela. Incrível como mesmo sem tirar fotos as imagens ficam gravadas.

Para dizer a verdade o que gostei mesmo da minha ida à Amsterdam foram a visita ao museu van Gogh e a ida a Voledam. O que gostaria de ter visitado era a casa da Anne Frank, mas não houve tempo hábil. Vi umas fotos de pessoas na rua, em fila para poderem entrar, e um aviso que os ingressos tinham que ser comprados com antecedência. Dois dias foram insuficientes para a visita, subestimei os locais a serem visitado. Agora Inês é morta e assim, no dia 4 de junho, embarquei para a majestosa Viena

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