O colesterol

(publicado originalmente em 24/09/2008)

 

    Pois é, uma rede mundial de lanchonetes teve que fechar muitas de suas portas, porque um inocente cheeseburguer com batatas fritas e os outros burguers comercializados nesta rede se tornaram um grande vilão; mais um pouco e a rede se tornaria o inimigo público número um. Tudo em nome da santa cruzada contra o colesterol.

 

 

 

      Que saudades do tempo em que se podia comer à vontade, frituras, queijos gordurosos, um belo bife a parmegiana, ovos e batatas fritas, bacon, linguiça, e muitos, muitos outros quitutes; isto sem falar das deliciosas sobremesas, e dos sorvetes regados a chantily e cremes de dar água na boca, sem complexo de culpa.

    Até algumas décadas atrás, nem tantas, aliás, éramos felizes e nem sabíamos. Hoje estamos todos conscientes que para termos uma vida saudável, é imprescindível proteger o coração dos males do colesterol. Deve-se ainda cuidar do

 

não só evitando o mau , como ainda, abastecê-lo com o bom colesterol, o que nos obriga a ficar antenados e revirarmos as gôndolas dos supermercados atrás de produtos estampados com um atraente LIGHT. Também é preciso decodificar as informações nutricionais e ficar bem esperto para não levar nenhum alimento que contenha GORDURA TRANS, este que parece ser um mal sem concorrente.

 

Quando era adolescente uma vez uma amiga e eu fizemos uma maratona gastronômica. Começamos num restaurante no largo do Arouche, chamado O Gato Que Ri, que diziam ter a melhor lasanha de São Paulo. Comemos sem deixar vestígios no prato. Saímos de lá e fomos a uma sorveteria na praça da República onde devoramos uma banana split. Ainda não satisfeitas fomos a uma padaria chamada Santa Theresa, na praça João Mendes, e comemos um doce recheado de creme e coberto de chocolate. Acho que naquele almoço consumimos umas 5.000 calorias. Entre parênteses tenho que dizer que àquela época tinha 1.60 de altura e 67 Kgs. de peso. Hoje tenho menos que 50kgs.

 

    Naquela época o que contava era a nossa aparência. Nem se falava em colesterol, mas se já houvesse esta preocupação, imagine em que altura estaria o meu. O complexo de culpa depois de tais maratonas, só se manifestava durante a semana, quando então morria de fome para não virar uma obesa. Durante a semana, seguindo a recomendação dos médicos que atendiam as gordinhas, eu me alimentava de muita salada, verduras de folhas, vegetais, franguinho grelhado e por aí. Agora, nesta época de preocupação com colesterol esta minha alimentação era dez, a que se deve ter, porém se eu tinha ou não uma alta taxa daquele grande vilão, não sei, mas saúde eu tinha para dar e vender.

 

 

    O que parece confirmar esta minha afirmação quanto a minha saudabilidade é o fato de que, lá pelos anos de 1956, não sei precisamente, tivemos no Brasil uma epidemia de gripe chamada asiática. Estava fazendo o colegial, hoje ensino médio. Fui para a escola porque tinha prova de latim. Quando terminei disse para a professora que tinha que ir embora, pois, tinha que arrumar a cozinha do almoço. Todos em casa estavam acamados, inclusive a empregada, por conta da gripe asiática. Só eu permanecia em pé, firme e forte. Lembro-me de ter estudado com o caderno aberto, sobre as duas torneiras da pia. Acho que o que falei sobre a minha saudabilidade bate um pouco com uma matéria que li , com 2 estudos publicados em agosto de 2008 em Archives of Internacional Medicine: ”Obesidade nem sempre faz mal a saúde”. Eu não era obesa mas tinha um belo sobrepeso e duvido que se tivesse continuado naquela toada, hoje estaria aqui toda lépida e faceira, divertindo-me a escrever crônicas. Antes de continuar preciso registrar que as tais pesquisas tiveram seus dados coletados entre l999 e 2004, mas tem outro dado: “a cientista afirma que são necessários novos estudos”. A tal pesquisa de certa forma se declara inconclusiva, mas o combate ao colesterol não é inconclusivo e, portanto, livremo-nos dele.

 

 

    Felizmente outros estudos decretaram que a cozinha mediterrânea é a ideal para manter-nos longevos e com baixa taxa de colesterol. Um dos grandes auxiliares é o consumo de azeite de oliva e a ingestão de cerca de duas doses de vinho diariamente.

 

 

    Falando de azeite de oliva e, portanto, de oliveiras, lembrei-me da disputa entre Poseidon e Palas Atena, deuses da Grécia Antiga, como nos conta a mitologia grega. Ambos disputavam o patronato de uma cidade importante. Assim, acertaram entre eles que seria o vencedor da disputa aquele que desse o melhor presente para a cidade. Poseidon ofereceu um cavalo e Palas Atena, oferecendo uma oliveira, acabou por sagrar-se vencedora, e até por isso Atenas leva o nome da deusa.

    Ora, numa época em que nem mesmo um patinete era conhecido, para ser utilizado como auxiliar de locomoção, a muitos pareceu estranho que uma oliveira fosse considerada mais importante do que um cavalo. Ocorre que a oferta da oliveira foi da deusa da sabedoria e, portanto, ela sabia das coisas. Hoje, que temos até aviões supersônicos, o cavalo anda sem as nobres funções da Antiguidade. Poseidon, rei dos mares, não tinha a sabedoria de sua rival que deve ter até antevisto o futuro. Hoje, século XXI, a Grécia é o segundo maior exportador de azeitonas, atrás apenas da Espanha. Assim, vivas a sabedoria de Atena e sua oliveira que fizeram com que o produto corresponda a quase 35% das exportações da Grécia.

 

 

  Podemos acrescentar ao assunto oliveira o grande imperador romano, Adriano. Ele também é bastante antigo. Nasceu em 76 D.C. e neste ano de 2008, e é objeto de uma mega exposição no British Museum. O grande imperador foi descendente de uma família de comerciantes de azeite, em uma região que hoje é o sul da Espanha. É a oliveira presente na Espanha, que é o maior exportador dos frutos da árvore que a deusa da sabedoria ofertou à cidade que hoje leva seu nome.    

    Nosso corpo pode não conhecer estas histórias, mas, decretou que o azeite de oliva é bom para este arrasa quarteirões chamado colesterol. Vejam só: a deusa da sabedoria da Grécia Antiga deixou um presente, para que, até os homens que já chegaram à lua, mantenham-se longevos e saudáveis.

Não podemos nos esquecer que também faz muito bem ao coração, tomar duas taças de vinho diariamente.

 

    Se falamos do passado do azeite, do vinho então, podemos voar anos luz. Imagine que ele é mencionado no Velho Testamento, justamente junto a Noé, a quem devemos nossa existência. Não fora por ele a Terra teria sido dizimada e não haveria nem eu, nem você, nem ele ou nem ela.

   O capítulo IX do Gênesis disse que Noé, depois de retirar os animais:

Versículo 20: E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha.

Versículo 21: E bebeu do vinho, e embebedou-se…..

 

Bem, os preceitos atuais, recomendam apenas duas taças de vinho diárias. Não se esqueça também:

 

Se beber não dirija

 

    Faça também sua, a global campanha: elimine de sua vida tudo que possa produzir o mau colesterol e abasteça seu coração de bom colesterol. Não é todo mundo que tem tão ilustres companheiros como a deusa Atena, o imperador Adriano e o bom e velhinho Noé, nesta cruzada dos tempos contemporâneos.

    Acho que devo ainda registrar que o bom Noé, que plantou a vinha, segundo o versículo 29 :

“E foram todos os dias de Noé novecentos e cinquenta anos e morreu”.

Não precisamos ir tão longe, mas é muito boa a longevidade saudável. Livrar-se do colesterol é um passo muito importante. Tenho dito.

 

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