Educação- Um exemplo a não ser seguido

 

 

            Com tristeza li hoje nos jornais que os índices de evasão e repetência crescem em toda São Paulo. Isto significa que mais crianças e adolescentes irão para a rua, engrossando as estatísticas de analfabetismo funcional, delinqüência, drogados, e/ou colocados a serviço da droga, culminando, muitas vezes em mortes.

 

            Compilados os índices, buscaram-se as causas, e esta bússola apontou como causa a falta de investimento governamental nas escolas, além de ser considerado o pior problema a baixa remuneração dos professores. Numa época em que o maior aliado do ensino de boa qualidade é o uso de alta tecnologia, como poderão professores mal remunerados fazê-lo se nem ao menos podem ter acesso a ele, em função do orçamento que, via de regra, só cobre as despesas de sobrevivência?

 

            Também é apontado como causa a burocracia de tudo que envolva gastos. Na escola privada o vidro quebrado é imediatamente trocado, mas na escola pública muita papelada tem que correr até que o vidraceiro faça seu serviço.

 

            O que torna ainda pior a notícia é que isso se passa no estado mais rico da Federação. Há muito me pergunto o porquê de, até a pouco, São Paulo ser o estado que pagava os mais baixos salários de delegados. Sei que o Estado paga um salário mínimo maior que outros, e se não estiver errada seus professores têm uma remuneração menos aviltante que em outras regiões, mas assim mesmo assim são baixos os níveis salariais dos professores  da rede pública.

 

            Os alunos da rede pública têm baixa estima, por sua situação financeira carente, pelos problemas domésticos que muitas vezes vivenciam, e por um sem número de causas. Deveriam enxergar no professor uma figura que devessem respeitar, não só por seus saberes, mas ,sobretudo, alguém em quem   não vissem a reprodução do que os leva a baixa estima. Lastimavelmente eles sabem que seu professor é vergonhosamente remunerado, tornando-se então uma reprodução do modelo que abominam. Não será a este professor que ele irá respeitar. Começa então um dos elos da cadeia de razões que leva a evasão e repetência.

   

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