A  Suíça, Poncio Pilates, sempre neutra, está declarando que a jovem brasileira que disse ter sido espancada e cortada com canivetes se auto-mutilou e não estava grávida.

 

        Se, numa última hipótese, isto for verdade, de qualquer forma, a historicamente neutra Suíça, não pode negar que abriga um partido político (o SVP), de direita, contrário à presença de imigrantes no país. Não pode negar que o partido promoveu uma série de propagandas racistas e que, em uma delas, ovelhas brancas chutavam para fora do mapa da Suíça ovelhas negras.

 

        O que aconteceu com a jovem brasileira foi em Zurique, espacialmente quase colada a Genebra, país berço da Cruz Vermelha, fundada no século XIX e que desde então presta serviços humanitários em todo o mundo. Pois é, esta mesma Suíça humanitária abriga um partido de ideário nazista, que ninguém em sã consciência,  deixa de repudiar instintivamente.

 

        O que vem acontecendo atualmente é que a crise econômica global vem sendo desculpa para aflorar sentimentos xenófobos que antes eram velados, por não serem “politicamente corretos”.

 

 

        Agora é lançado como “instinto de sobrevivência”, pois estrangeiros seriam ameaça aos empregos dos nativos dos países.

 

        Isto é outro conto da Carochinha, pois, a xenofobia, em muitos países, sempre existiu. Não fazendo, do exemplo que se segue, uma  referência de que na Inglaterra ela atinja maiores proporções, citamos uma entre as milhões de manifestações xenóbicas, verbais.

 

 

    O príncipe Harry “fará curso do Exército do Reino Unido sobre igualdade e diversidade depois de divulgação de vídeo em que chama colega asiático de “paki”, termo pejorativo para se referir a imigrante ou descendente de paquistanês. A ofensa foi incluída em seu registro militar. Em nota, o príncipe se desculpou pela brincadeira” ( Folha de São Paulo, Cotidiano fls.12, 13/02/2009)

 

 

        Ora, se existe temor que o príncipe Harry não tem, é o de perder o emprego.

 

 

        O que há de verdade em relação a xenofobia é que ela parece estar latente,  na maioria dos países, manifestando-se publicamente, sem pudor, em ocasiões como agora, de temor de desemprego

 

        Não sei quais foram os mecanismos do meu subconsciente para deter-me especialmente nos dois países: Suíça e Reino Unido. Ou melhor, na Suíça é porque foi lá que se deu o estopim, com o caso da jovem brasileira. Talvez, quando citei o país cuja polícia matou Jean Charles de Meneses, o meu subconsciente fez aflorar a revolta que ainda sinto por ter visto o descaso com que a morte de um “brasileiro” (de país subdesenvolvido), foi tratada. Afinal, porque eles vão se preocupar com um imigrante ilegal?

 

        É incrível como trabalha nosso subconsciente, mas me trouxe um gosto de fel à boca. São histórias tristes, que gostaria de apagar da minha memória. Infelizmente isto não vai ocorrer e nós, brasileiros, temos que aprender a conviver com estas dolorosas verdades. Deus queira que elas não se repitam.

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