Havia uma aldeia indígena chamada PAC.  O mundo dos cara-pálidas estava em crise, mas nesta aldeia indígena eles nem sabiam o que era isso. Continuavam com suas riquezas e seus desmandos porque, afinal, ninguém é de ferro.

             

        No dia 04/03/2009 precisavam escolher um novo cacique. O antigo tinha sido destituído porque era muito safado e tinha colocado a mão no dinheiro da tribo e construído luxuosas tabas, não prestava contas a sua tribo do que fazia com as oferendas que ficavam a seu dispor, para distribuir na aldeia, e outras safadezas, que ele sempre negava.

 

        Apresentaram-se como candidatos a cacique do PAC, um indígena macho e uma fêmea. Tratava-se de uma tribo aculturada e até lá já tinham chegado a igualdade de direitos femininos. Um dos candidatos a cacique chamava-se Collor e a fêmea, Ideli.

 

        O candidato Collor já tinha sido um figurão na tribo, mas tinha sido deposto do cargo, pela primeira vez naquela aldeia, também por safadeza.

 

        Mas os anos tinham se passado e como os indígenas têm memória curta, ou fingem que tem, quando lhes convém, o cacique Collor apresentou-se como candidato.

 

        Escolado, o candidato abriu um leilão. Oferecia percentuais das riquezas que ia fiscalizar, e que ele já sabia como usar a seu favor, e assim, o martelo do leiloeiro da tribo ia encerrando os lances. A outra candidata não tinha tantos anos de estrada e acabou sendo vencida.

 

        Assim, Collor foi nomeado cacique, também com funções de  presidir a comissão que ia fiscalizar a aldeia.

 

        No mundo dos cara-pálidas tinha um jornalista que usava muito este bordão:

 

Isto é uma vergonha!

 

        Mas é assim que se passam as coisas naquela aldeia.

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