Jamais imaginei que algum dia teria coragem de escrever algo sobre o polêmico Clodovil. Quando soube da expressiva votação que ele recebera, achei que os que tinham votado nele o fizeram por puro deboche.

 

       

        Tive que mudar de opinião depois que li crônicas do imortal de fardão, Carlos Heitor Cony, e do cronista e escritor, genial, Ruy Castro.

 

 

         Ruy Castro teceu alguns comentários sobre uma entrevista que fez com ele para a revista Playboy. Alguns lances ocorridos durante a entrevista, foram realmente hilariantes, para dizer o mínimo, mas     o cronista termina sua coluna dizendo que tinha sido o melhor entrevistado que já tivera.

 

 

        Carlos Heitor Cony fala da cultura revelada por Clodovil sobre a História do Brasil, na virada do século XVIII para o XIX “incluindo a tentativa da criação do Estado do Triângulo Mineiro, que colocou aquela Província em litígio com a corte de dom João 6º”. Ao final da crônica diz que para o tipo que Clodovil tinha sido, lhe dava 10.

 

 

        Falar em erudição  aliado ao nome Clodovil, jamais pensei pudesse acontecer. Mas aconteceu. Na véspera do dia de seu AVC tinha lido que ele pensava em se candidatar para o Senado e para isto tinha contratado um professor da USP para dar-lhe aulas de política. Contudo, não se lembrava do nome do professor. Quando li a pequena notícia achei que isto condizia bem com sua pessoa e sua ausência de cultura. Pelo visto mais um ledo engano.

 

 

        Vi o polêmico estilista, apresentador de televisão, decorador, político, a vivo e a cores há mais de 30 anos. Naquela época ia com freqüência ao hotel Delphin no Guarujá e numa dessas vezes, Clodovil também estava hospedado lá. Quando ia ao restaurante e ele estava lá, tinha vontade de me enfiar debaixo das mesas, com medo que ele me falasse: “Ai cafona”. Nunca o fui, mas sabe-se lá quais os critérios dele.

 

        José Simão, que também não deixa passar uma, em sua coluna escreveu que Clodovil falou para São Pedro: “O cajado ainda vai, mas essa bata tá muito démodé. Ainda mais, que quando Clô chegou ao céu falou: “Ô lugarzinho cafona. Vamos redecorar.”

 

        Do estilista, político, e outras, dava para esperar qualquer coisa. Daí o meu receio em trombar com ele no restaurante do hotel.

 

        Essa não foi a única vez que fiquei com medo de famosos acostumados a dizerem tudo que querem. Também há muitos anos, fui assistir a um show de Elis Regina, a “pimentinha”. Como sempre fui de dormir muito cedo, uma hora, durante o show, dei uma leve cabeceada de sono. Acho que fechei os olhos. Logo que o abri, fiquei morta de medo que ela falasse: “Você aí, se está com sono, vai dormir em casa.”

 

        Bem, no frigir dos ovos, o polêmico Clodovil Hernandez, que uma vez me assustou, se foi, mas que deixou sua marca, construída ao longo dos anos, isto deixou.

 

       

               

 

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