Miscelânea


          Estou executando tarefas que venho postergando há anos e por isto não tenho postado e nem visitado nenhum blog. Acredito que só daqui há dois mêses terei terminado minhas enfadonhas tarefas e voltarei às atividades de blogueira. No momento tenho passado longe do computador, somente abrindo-o de vez em quando, para verificar e-mails.

          Abraços,

          Odette

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        A frase título foi dita pela viúva do professor- doutor que fazia pós-doutorado em matemática, nos Estados Unidos. Ele foi morto por um franco atirador, no prédio de uma organização de atendimento a imigrantes.

 

 

        Creio que o número de chacinas, como a ocorrida, nunca foi contabilizada. Elas têm ocorrido mundo afora, mas, sem dúvida os Estados Unidos lideram as grandes tragédias perpetradas.

 

        Será que a causa é apenas a venda indiscriminada de armas ou o problema localiza-se em outra esfera? Será que os norte-americanos lideram o índice mundial de psicopatas?

 

 

        O Oriente (especificamente China e Japão) pressiona fortemente suas crianças para que elas se superem escolarmente. É exigido delas que tenham o melhor desempenho escolar que possam alcançar e, em conseqüência é alto o número de suicídios entre adolescentes. Isto já li com freqüência. Contudo, se a pressão é tão insuportável porque tais países não produzem psicopatas, como os destes atiradores do Ocidente?

       

 

        Serão os Estados Unidos um país com tantos drogados que possa vir a explicar a quantidade de chacinas? Ou, que traumas tão terríveis carregam os atiradores norte-americanos?

 

       

        Tivemos no Brasil o caso de um rapaz que saiu atirando numa sessão de cinema, mas este nem ao menos se suicidou. Deve pertencer a outro grupo de psicopatas.

 

       

        Estará certa a viúva do matemático em culpar a indiscriminada permissão para comprar armas existente no país onde seu marido foi brutalmente assassinado?

 

        Gostaria de ter acesso a estudos que explicassem tais chacinas.

 

 

 

        Não costumo contar casos pessoais nos posts que redijo. Desta vez, entretanto, o faço, como alerta para quem desconheça que taturana pode ser venenosa.

 

        Na segunda-feira desta semana, meu marido me mostrou seu braço levemente avermelhado e um pouco inchado e disse que tinha roçado numa árvore, onde havia uma colônia de taturanas. Isto, aqui no Morumbi, e não em nenhuma área silvestre.

 

        Imediatamente abri o computador e pesquisei no Google sobre taturanas venenosas. A pesquisa indicou a existência de uma  espécie. Falei então a meu marido que ele deveria ir ao Instituto Butantã. Ele me respondeu que aquilo seria um desgaste inútil e que não iria.

 

                À noite o braço estava desinchado e tinha passado a vermelhidão. Parecia então que não era nada sério. No dia seguinte, o braço estava novamente avermelhado e inchado. Ele me mostrou e comentou que se tivesse acontecido alguma coisa, passadas 24 horas, não havia indícios de nada. Comentei que quando uma pessoa é mordida por um cachorro louco, o efeito demora um pouco, mas dei o assunto por encerrado. Nem sei se isto é verdade, mas foi o que disse.

 

        Passado um tempinho ele disse que teria que sair e como ia estar na metade do caminho do Instituto, iria até lá. Foi, e o médico disse que queria ver a taturana. Alguém da enfermagem disse que aquilo não era nada, mas o médico era muito “medroso”.

 

        Meu marido voltou a arvore, que fica defronte do prédio de uma filha, coletou as taturanas e levou para o médico. A taturana era venenosa. A única da espécie tinha lançado seu veneno nele.  Dali para frente meu marido não tinha mais coagulação no sangue. Ficou internado tomando o soro e depois foi feito novo exame de sangue. O primeiro tinha apresentado coagulação traço. Depois do soro já houve melhoras. A médica insistia que ficasse lá, em repouso, com medo de que se acidentasse. Não quis ficar. Voltou para casa e no dia seguinte, quinta-feira, foi até lá, fez novo exame de sangue, e às l4 horas soube do resultado: a coagulação estava se processando normalmente.

 

        Se eu não tivesse pesquisado não saberíamos, como ninguém que eu conheça sabe, que há uma taturana venenosa, e ele não teria sido medicado.

        Hoje (sexta-feira) soube de outro detalhe. Ele disse que como estava sem óculos não viu as taturanas e pensou que tinha roçado o braço numa árvore espinhosa. Meu genro foi quem disse para ele que havia taturanas na árvore.

 

        Disto tudo uma lição: ficar alerta para sensações de picada e saber que há uma taturana venenosa. Isto, como se vê, pode definir uma vida.

 

 

 

        Para criminosos parece que o céu é o limite em matéria de criatividade.

 

        Esta notícia foi extraída da Folha de São Paulo de 31 de março de 2009:

       

        Dois pombos correios carregando partes desmontadas de um celular e um carregador de bateria foram encontrados por agentes penitenciários em Sorocaba (99 km. de São Paulo), na semana passada. A polícia acredita que as aves estavam sendo usadas para levar as peças para dentro de um presídio.

 

        Segundo o boletim de ocorrência, o primeiro pássaro foi visto por um agente que trabalha na portaria da penitenciária, na última quarta-feira.

 

        O homem notou alguma coisa estranha no pássaro que descansava em um fio de alta tensão, e fez uma armadilha para pegá-lo. Havia nele uma sacolinha com peças de um telefone celular.

 

        Na quinta-feira, uma outra pomba apareceu. No segundo pássaro foi encontrado um carregador de baterias.

 

        Em junho do ano passado a polícia apreendeu dois pombos com uma mulher em Marília (a 435Km. de São Paulo) e abriu investigação para saber se eles seriam usados para levar componentes de celular e drogas para o presídio da região. Ela alegou que as aves levariam só comida para os presos.

 

         Creio que a única coisa a ser dita, diante desta notícia é:

Isto é incrível

 

 

 

 

        Há muitos anos, quando ainda advogava, tive um cliente que era acusado dos crimes de apropriação indébita e estelionato. O rapaz recebia o dinheiro que os clientes pagavam e não o passava à firma para a qual trabalhava.

 

        Entrei em composição com o advogado da firma e como a esta  só interessava receber o que lhe era devido, e não jogar o ex funcionário atrás das grades, o pagamento foi feito. Com o recibo de quitação em mãos, o advogado e eu montamos uma história. O acusado teria tentado, por diversas vezes, efetuar o pagamento, mas tinha havido vários impedimentos que impossibilitaram o ajuste final.

 

        O advogado, representante da Autora, deu esta versão em depoimento e o Réu foi inocentado. Juridicamente ele não se apropriara de coisa alheia, pois detinha um recibo de quitação de pagamento, e nem incorrera no conhecido 171 do Código Penal que reza: “ Obter para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio …Como ninguém tinha sido prejudicado, expondo o caso sucintamente, pois ocorreu há décadas, o caso teve um final feliz para o meu cliente. O sofrimento e a angústia que meu cliente e sua família passaram, já foi um castigo de bom tamanho. Some-se a isso o fato de que ele não teve lucro algum e ainda teve que gastar dinheiro com honorários advocatícios. Acho que a lição foi aprendida.

 

        É bem verdade que o crime não se torna inexistente mesmo se houver pagamento, ressarcimento, do bem objeto da ação penal.Só contei o caso de meu ex- cliente para entrar no mérito do que desejo discorrer: a desproporcionalidade entre um crime e a pena condenatória.

 

 

        O caso envolvendo a dona da Daslu é um absurdo. Não sou cliente da loja, pois, embora tenha um padrão de vida confortável, não tenho cacife para bancar qualquer peça em exposição na loja e nenhum interesse também. Mas, a pena a ela imposta é de uma sandice sem tamanho. Na realidade o maior crime é o de sonegação fiscal. A quem interessa a condenação da Ré a 94 anos de reclusão, considerando-se ainda que a duração das penas privativas de liberdade, não pode, em caso algum, ser superior a 30 anos?

 

        Creio que a juíza que lavrou tal sentença deseja o holofote sobre ela. Não há como deixar de comentar sobre a juíza que condenou Eliana Tranchesi a quase um século de prisão. Se não foi por esse motivo, só pode ser por outro.

 

        Estou lendo um livro de Zuenir Ventura cujo foco central é a inveja. Agora já sei a diferença entre este sentimento e a cobiça. Este último é a vontade de ter as mesmas coisas que alguém detém, seja bens materiais ou atributos físicos ou morais. Na inveja, além desse componente, o invejoso deseja o mal dessa pessoa, sua destruição.

 

        Agora a juiza já teve seus 15 minutos de fama, e se a tal condenação a 94 de prisão foi motivada por inveja ela também conseguiu seu intento porque, vamos e venhamos, passar uma noite que seja, numa cela de prisão, já é um castigo e tanto.   

       

 

 

 

        O crime compensa. Para os do colarinho branco, tipo Daniel Dantas, Salvatore Cacciolla, e outros da mesma envergadura. O último estava preso em Mônaco, muito chique, não é? Além de ser prisão cinco estrelas, ainda tinha uma vista privilegiada. Não queria de jeito algum, ser entregue ao Brasil.

 

        Mas, tirando estes criminosos de grosso calibre, cometer crimes, com perdão do trocadilho, são uma grande roubada.

 

        Outro dia, eram 7,40, estava indo para a academia, quando vi na minha rua várias viaturas policiais e um bando de policiais. Perguntei a um deles o que estava acontecendo e fui informada que tinha havido uma tentativa de assalto, mas que eles já estavam presos. Vi ao seu lado, com as mãos para trás e com algemas, um rapazote minguado e franzino, com uma calça jeans surradinha, uma camiseta verde meio desbotadinha e sandálias havaianas.

 

        Depois uma amiga me contou que quando a empregada chegou, ouviu vozes no quintal, e muito espertinha, pediu para o guardinha da guarita que chamasse a polícia. Esta, com o portão aberto pela empregada, entrou e rendeu os assaltantes.

 

        Crimezinho pé-de chinelo e autores do delito ídem. Onde já se viu ficar batendo papo? Os frustados assaltantes devem ter levado muito ponta-pé enquanto estavam na viatura a caminho da delegacia. Os policiais que dizem “bandido bom é bandido morto” não devem ter deixado passar impunemente a audácia dos delinqüentes de desafiar esta ilustre corporação.

 

        Estatísticas demonstram o alto número de jovens mortos. Faz parte desta estatística fúnebre um grande número de assassinatos, cometidos entre os próprios criminosos, especialmente na guerra pelo comando do tráfico, e as mortes por policiais.

 

        Tenho visto várias vezes na TV criminosos serem presos e todos eles estão longe de ter uma aparência de endinheirados. Também, vamos calcular: o produto do roubo precisa ser dividido. O que foi apurado tem que ser vendido e aí entra a figura do receptador. Este, que não é bobo, deve pagar uma mixaria. A profissão exige alguns investimentos como armas e munição. As primeiras não devem representar muito capital porque geralmente são frutos de roubo ou compradas a preço de banana. A munição, entretanto, acho eu, já que não sou do ramo, precisa ser comprada e de grão em grão, o negócio vai ficando cada vez menos lucrativo.  Uma prova de que o negócio não deve ser muito rentável é que geralmente os bandidos moram em favelas. Assim, não moram bem, não se vestem bem e não sei se comem bem. O rapazote algemado que vi, não tinha ares de ser muito bem nutrido.

 

        Moral da história: o crime compensa, mas só para quem não é pé de chinelo. Estes, coitados, vão apodrecer nestas nossas cadeias, bem piores do que o inferno descrito por Dante . A eles não resta nem a esperança de que o ministro Gilmar Dantas conceda um habeas corpus. Não precisam contribuir para a Previdência, como autônomos, porque, geralmente, morrem cedo. Alguém já viu um bandido de cabecinha branca? É bom pensar bem antes de enveredar pelo crime.

 

        Só os gladiadores romanos é que diziam: Ave Cesar, aqueles que vão morrer te saúdam.   

 

 

 

 

      Jamais imaginei que algum dia teria coragem de escrever algo sobre o polêmico Clodovil. Quando soube da expressiva votação que ele recebera, achei que os que tinham votado nele o fizeram por puro deboche.

 

       

        Tive que mudar de opinião depois que li crônicas do imortal de fardão, Carlos Heitor Cony, e do cronista e escritor, genial, Ruy Castro.

 

 

         Ruy Castro teceu alguns comentários sobre uma entrevista que fez com ele para a revista Playboy. Alguns lances ocorridos durante a entrevista, foram realmente hilariantes, para dizer o mínimo, mas     o cronista termina sua coluna dizendo que tinha sido o melhor entrevistado que já tivera.

 

 

        Carlos Heitor Cony fala da cultura revelada por Clodovil sobre a História do Brasil, na virada do século XVIII para o XIX “incluindo a tentativa da criação do Estado do Triângulo Mineiro, que colocou aquela Província em litígio com a corte de dom João 6º”. Ao final da crônica diz que para o tipo que Clodovil tinha sido, lhe dava 10.

 

 

        Falar em erudição  aliado ao nome Clodovil, jamais pensei pudesse acontecer. Mas aconteceu. Na véspera do dia de seu AVC tinha lido que ele pensava em se candidatar para o Senado e para isto tinha contratado um professor da USP para dar-lhe aulas de política. Contudo, não se lembrava do nome do professor. Quando li a pequena notícia achei que isto condizia bem com sua pessoa e sua ausência de cultura. Pelo visto mais um ledo engano.

 

 

        Vi o polêmico estilista, apresentador de televisão, decorador, político, a vivo e a cores há mais de 30 anos. Naquela época ia com freqüência ao hotel Delphin no Guarujá e numa dessas vezes, Clodovil também estava hospedado lá. Quando ia ao restaurante e ele estava lá, tinha vontade de me enfiar debaixo das mesas, com medo que ele me falasse: “Ai cafona”. Nunca o fui, mas sabe-se lá quais os critérios dele.

 

        José Simão, que também não deixa passar uma, em sua coluna escreveu que Clodovil falou para São Pedro: “O cajado ainda vai, mas essa bata tá muito démodé. Ainda mais, que quando Clô chegou ao céu falou: “Ô lugarzinho cafona. Vamos redecorar.”

 

        Do estilista, político, e outras, dava para esperar qualquer coisa. Daí o meu receio em trombar com ele no restaurante do hotel.

 

        Essa não foi a única vez que fiquei com medo de famosos acostumados a dizerem tudo que querem. Também há muitos anos, fui assistir a um show de Elis Regina, a “pimentinha”. Como sempre fui de dormir muito cedo, uma hora, durante o show, dei uma leve cabeceada de sono. Acho que fechei os olhos. Logo que o abri, fiquei morta de medo que ela falasse: “Você aí, se está com sono, vai dormir em casa.”

 

        Bem, no frigir dos ovos, o polêmico Clodovil Hernandez, que uma vez me assustou, se foi, mas que deixou sua marca, construída ao longo dos anos, isto deixou.

 

       

               

 

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