Política


 

 

        Uma vez mais invado seara alheia e também inspirada em colunista da Folha.

 

 

        O Presidente Lula vai passar para a História, sem dúvida alguma. Pelo seu governo, seu carisma (não vamos nos esquecer que ele é “o cara”) e por diversos outros valores, mas também pela sua capacidade de não saber, não ver coisas que estão sob seu nariz. Para isto sempre contou com a blindagem dos Josés Dirceus da vida.

 

        Agora, ninguém mais que o ministro Gilmar Mendes é a bola da vez. Ele gostou de ficar sob os holofotes, quando concedeu uma enxurrada de habeas corpus. Daí para frente começou a dar palpite em tudo, muitos deles tirando uma “saia justa” do Presidente. Creio que o começo dos palpites foi quando ele colocou o MST no seu devido lugar. Lula, é claro, via que o movimento estava extrapolando, mas, talvez com certa consciência culpada por ter prometido uma reforma agrária para ninguém botar defeito, e o serviço ter ficado meia-boca, ficava cego, surdo, e mudo com os desmandos dos sem terra. Gilmar Mendes peitou os chefões do movimento e Lula ficou de fora só espiando. Ninguém pode culpá-lo de nada. Foi Gilmar Mendes quem fez.

 

        Deixou para o STF o caso da extradição ou não de Cesare Batista, não se comprometendo para lado nenhum.

 

        Com seu passado de sindicalista jamais poderia impor restrições às greves no serviço público. Lula deu uma de Pôncio Pilatos. O judiciário decidiu a questão e mais uma vez Lula pode dizer que foi Gilmar Mendes quem fez. Lula está superando, pelo avesso, Paulo Maluf, que atribui a si toda e qualquer obra. Se perguntado, o ex-governador, ex-prefeito de São Paulo, ex-candidato a Presidente, sobre a autoria de alguma obra que tenha se transformado em benefício para o povo, a resposta é sempre: foi Maluf que fez. Agora o bordão do Paulo Maluf se inverteu. Agora é: Não fui eu que fiz, foi o Supremo ou simplesmente, foi o Gilmar Mendes quem fez.  

 

        A demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol, ficou nas mãos do STF. A questão estava com os índios rufando seus tambores de um lado, de outro lado os arrozeiros e a questão das fronteiras, além de alguns probleminhas de percurso. Se alguém perguntar a Lula se ele usou escudo para se proteger do tiroteio, ele, com certeza responderá que não era de sua alçada. Mais uma vez: Foi Gilmar Mendez quem fez.

 

        Nosso Presidente está deixando os holofotes sobre o ministro. Holofotes sobre sua pessoa só quando for num ângulo que lhe seja favorável. Ninguém imaginava um ex-torneiro mecânico tão espertinho. Também poucos imaginavam que seria um Presidente com tão alto índice de popularidade, mas assim se movem as rodas dessas engrenagens tão bem azeitadas.  

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        Política não é a minha seara. É do Neto, do Fábio, do Zepovo, que conheci recentemente, além de provavelmente muitos outros mais. Entretanto, esta coluna do Clóvis Rossi, me pareceu tão pertinente, que não posso deixar de transcrevê-la, embora não o faça ipsis litteris.

 

        Ele responde a um leitor, que propõe “a propósito da catarata de escândalos políticos” a seguinte indagação:” Será que esse pessoal não sofreu uma mutação genética que os faz  pensar diferente, agir diferente e sentir diferente?

 

         Responde o colunista que seria bem possível, mas que a mutação havia começado faz tempo e fora tomando formas cada vez mais horrendas. Os políticos tinham se transformados em castas, com exceção de poucos, que eram cada vez menos.

 

        Acrescenta que onde os seres humanos normais veem o absurdo, os mutantes veem direitos adquiridos. Toma como exemplo o caso dos apartamentos funcionais, onde está em discussão se é mais caro ou mais barato reformar os apartamentos, para deixar de gastar em auxílio moradia.

       

        Considera que os congressistas se sentem detentores de direitos adquiridos, exigindo casa, comida e roupa lavada, expressão usada para designar o portentoso leque de mordomias, além de um bom salário.

 

        Ressalta que salvo o primeiro escalão da administração pública federal, salvo os governadores, nenhum outro funcionário, público ou privado, têm direito a, por exemplo, moradia. Paga do seu bolso.

 

        Clóvis Rossi finaliza perguntando :”Porque o congressista é melhor do que os outros? Faz um sacrifício em nome do bem comum? Antes de morrer de rir com minha santa ingenuidade, admita que um ou outro pode até fazer. Mas, ao se candidatar, já sabe disso, é bem pago para tanto. O resto veio de acréscimo para criar uma casta”.

 

         Fonte:  Folha de São Paulo, quinta-feira, 09 de abril de 2009.

       Tentei criar um link para os blogueiros que citei mas não deu certo. Falha nossa.